Casos Clínicos

SÍNDROME DO DENTE FRATURADO - DR. EDUARDO BRESCIANI

23/11/10 12:08


Fraturas dentárias, envolvendo pelo menos uma das cúspides, podem ser tanto completas como incompletas.
A fratura de cúspides em dentes posteriores está relacionada geralmente com a presença de restaurações, de pequeno e médio porte, e sua detecção é feita pela presença de uma linha de fratura observada durante o exame clínico.
A síndrome do dente fraturado geralmente resulta de um dente com fratura incompleta e com vitalidade pulpar. A síndrome do dente fraturado se caracteriza pela presença de uma série de sintomas que incluem: desconforto durante a mastigação, sensibilidade não usual ao frio e dor durante aplicação e remoção de pressão.
A ocorrência da síndrome do dente fraturado (fratura incompleta de cúspide) ocorre igualmente na mandíbula quanto na maxila, com maior predominância em primeiros pré-molares e molares. Os segundos pré-molares e molares são menos acometidos. A presença de restaurações de pequeno ou médio porte são geralmente observadas quando da ocorrência desta síndrome. Atualmente, a associação da utilização de piercings na cavidade oral e a presença de fraturas incompletas também foi observada.
Esta síndrome geralmente é de difícil diagnóstico. Dois testes geralmente nos auxiliam para esta determinação. São eles: a transluminação ótica e o teste da mordida. A transluminação feita por lingual ou vestibular do dente resultará, no caso de dente com cúspide com fratura incompleta, em uma imagem de dente parcialmente iluminado, uma vez que a parte com fratura aparecerá mais escura. O teste da mordida se baseia no sintoma desta síndrome. Ao morder um palito de madeira ou disco de borracha, o paciente relata a dor.
No caso clínico a seguir apresentaremos um caso de dente com síndrome do dente fraturado.
Caso clínico:
Paciente do sexo masculino, adulto apresentando sensibilidade dolorosa na região do dente 15, durante a mastigação, e também quando da utilização de alimentos gelados e doces.
Foto 01: Exame clínico inicial da região, revelando a presença de restaurações pequenas de amálgama nos dentes 14, 15 e 16. O tecido gengival apresentava-se com características de normalidade.
Foto 02: Radiografia periapical da área revelando integridade da lâmina dura, descartando a possbilidade de problema endodôntico na região.
Foto 03: Radiografia interproximal da região, revelando normalidade das superfícies interproximais. Observa-se nesta radiografia a presença de uma linha radipaca abaixo da restauração do dente 15. Esta linha foi interpretada inicialmente como uma reação mineralizadora, provavelmente pela utilização de base protetora durante a confecção da restauração.
Foto 04: Suspeitou-se de síndrome do dente fraturado pelos sintomas apresentados para o paciente. Este foi submetido ao teste da mordida. O paciente relatou sensibilidade dolorosa durante o teste, principalmente no dente 15. Para revelar a linha de fratura de forma mais didática, utilizou-se um corante 0,5% de fuccina básica. A linha foi então evidenciada, como apresentada nesta foto.
Foto 05: A partir da evidenciação da linha de fratura no dente 15, observou-se uma sombra escura na lingual do dente em questão, podendo estar relacionada com a presença de desmineralização/processo carioso debaixo da fratura.
Foto 06: A restauração foi cuidadosamente removida e detectou-se a presença de lesão cariosa abaixo da cúspide fraturada. O Planejamento inicial seria remover o tecido cariado e restaurar o dente com resina composta ou ionômero de vidro, além da colocação de uma banda ortodôntica. Futuramente seria planejado uma coroa de porcelana, assim que a dor cessasse após o tratamento inicial.
Foto 07: Durante a remoção do tecido cariado, a cúspide fraturada se deslocou do restante do dente, como observado nesta figura.
Foto 08: O paciente então foi informado da troca de planejamento e optou por restauração direta em resina composta, mesmo estando esclareciso sobre o risco de nova fratura. Nesta foto observa-se o dente após remoção de tecido cariado e pronto para receber o protetor pulpar e a restauração de resina composta
Foto 09: Dente preparado e presença de proteção pulpar. A proteção foi realizada com uma camada de cimento de hidróxido de cálcio e ma camada de cimento de ionômero de vidro.
Figura 10: Aspecto final do dente restaurado, utilizando-se restauração direta em resina composta.


Fotos


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